REVIEW DE GREEN LANTERN: FIRST FLIGHT

O longa animado “Green Lantern: First Flight” (Lanterna Verde: Primeiro Voo) foi lançado para Home Vídeo em 28 de julho de 2009, já no dia 16 de janeiro de 2010 o longa foi lançado no canal americano Cartoon Network, ele é mais uma adaptação dos personagens da DC, fazendo parte do selo “DC Universe: Animated Original Movie” (DC Universo: Filmes Animados Originais), uma criação da Warner Premiere em associação com a Warner Bros. Animation. A produção contou com a direção de Lauren Montgomery e com roteiro escrito pelo talentoso e veterano roteirista Alan Burnett, com produção do Bruce Timm.

Lançado diretamente em vídeo, o longa é protagonizado pelo Super-Herói Lanterna Verde, versão Hal Jordan, que originalmente foi dublado pelo ator Christopher Meloni (astro da série “Law & Order: Special Victims Unit”), aqui vemos a origem e a primeira missão do Hal como o único terráqueo a incorporar a Tropa dos Lanternas Verdes.

Na trama, podemos perceber que o roteirista Alan Burnett tinha uma visão bastante interessante da mitologia do Lanterna Verde, podemos notar similaridades da história com o filme “Training Day” (Dia de Treinamento – 2001), com Sinestro assumindo o papel de Alonzo Harris e o Jordan o de Jake Hoyt. Ao longo da história, vemos vários paralelos sendo feitos com o gênero policial, como por exemplo o Hal se referindo aos setores espaciais como delegacias, tornando essa característica do roteiro incrivelmente eficaz.

Momento em que Hal Jordan encontra o alien Abin Sur

A história começa com o piloto de testes da Ferris Aircraft Hal Jordan sendo abduzido pelo alienígena chamado Abin Sur, cuja nave caiu perto do campo de testes. Algum tempo depois Hal é convocado para o planeta Oa pelos Guardiões do Universo, os líderes da Tropa dos Lanternas Verdes, lá ele é colocado sob a tutela do Lanterna Sinestro, considerado como o maior Lanterna da Tropa, Hal si prova como um excelente Lanterna, porém ele acaba sendo incriminado por um assassinato que ele não cometeu, agora ele terá que descobrir quem fez isso.

A diretora Lauren Montgomery, que também havia dirigido o longa animado da Mulher-Maravilha (falaremos desse longa no futuro), lida bem com a escala galáctica do filme, podemos ver isso nas sequências de ação que ocupam a maior parte da história, como por exemplo a luta contra o alienígena Kanjar Ro, a busca pelo elemento amarelo e o confronto final contra Sinestro e sua Bateria Amarela, uma vez que ele se torna desonesto, com o Hal se mostrando corajoso e dotado de uma grande Força de Vontade.

Mesmo assim a violência apresentada nesse longa é mais atenuada do que a que vimos em Mulher-Maravilha, com isso o longa do Hal pode ter uma censura mais branda, as crianças apreciaram as cores brilhantes e, principalmente, as diferentes formas dos vários Lanternas Verdes, teve até uma pequena participação do Lanterna Ch’p (um esquilo).

Lanternas Sinestro, Boodikka, Hal, Tomar Re, Kilowog e o pequeno Ch’p

Os personagens principais são atraentemente projetados, embora a animação de alguns dos alienígenas não-Lanterna possa ser um pouco simplista às vezes, os fãs do personagem com certeza reconheceram muitos dos personagens de fundo, mesmo que eles não sejam nomeados e não tenham falas. Dos Lanternas principais da Tropa que possuem falas podemos incluir a Lanterna Boodikka, que é responsável pela maior parte da exposição no filme e o Kilowog.

Uma das coisas que mais se diferenciou nesse longa foi o Sinestro, apesar dele está em uma busca pelo poder supremo, suas motivações são mais sutis do que a maioria dos Supervilões, ele acha que os Guardiões do Universo foram suaves em sua proteção, na opinião dele o Universo precisa de uma mão forte, que apenas ele poderia fornecer.

No entanto, como foi bem observado pelo Hal Jordan, a megalomania nascente do Sinestro se manifesta enquanto ele começa a abusar de sua autoridade para obter informações de uma relutante testemunha, chegando até mesmo a torturar um suspeito. Quando chega o clímax a versão, extraordinariamente sombria do Sinestro, torna o longa mais rico e maduro.

Os Guardiões do Universo

O longa fez um trabalho admirável ao condensar toda a origem de Hal Jordan em cerca de setenta minutos. Em certos momentos o roteiro dá a impressão de ser um pouco apressada, principalmente enquanto esperamos que o Sinestro revele seus verdadeiros objetivos, porém no momento em que ele revela, o filme engata uma 5ª marcha, nos levando a uma das melhores batalhas espaciais animadas.

Incorporando, de forma bem feita, alguns elementos das HQs “Lanterna Verde: Origem Secreta” e “Lanterna Verde: A Guerra dos Anéis”. Em uma sequência vemos o Sinestro visitando um mundo desabitado e de uma estranha cor amarela, para encontrar Armeiros Qwardianos e pegar suas novas armas, um Anel e uma Bateria de Poder Amarelo, apesar do roteiro nos dar a entender que estamos no planeta Qward, no Universo de Antimatéria, isso não é verdade, já que os próprios Qwardianos fazem questão de citar, logo após entregarem as armas ao Sinestro, que irão voltar ao seu verdadeiro lar, ou seja, ao Universo de Antimatéria.

A citação do juramento dos Lanternas Verdes consegue fazer os fãs do Gladiador Esmeralda abrirem um tremendo sorriso, de orelha a orelha. Esses cuidados com os detalhes é que mostra o quão foi bem realizado esse longa animado do Lanterna, são pequenos detalhes como esses que conseguem agradar qualquer fã do material original. Dos projetos animados da DC, “Green Lantern: First Flight” está entre um dos meus favoritos, juntamente com todos os longas do Superman.

O alien gângster Kanjar Ro

Como foi comentado anteriormente, aqui temos uma história policial, mas que de forma gradual se adapta para uma história épica e poderosa, com sequências de ação rápida, furiosa e inventiva, onde os roteiristas tiveram a oportunidade de criar muitos usos legais para os Anéis da Tropa, algo que muitas outras versões do Lanterna Verde não conseguiram fazer, geralmente apenas se concentrando em cobrir os inimigos com luz verde ou criar objetos simples, como as “famosas” bolhas verdes que víamos sempre nos episódios dos “Superamigos”, aqui, os Lanternas muitas vezes criam quatro ou cinco coisas em rápida sucessão, podendo assim realizar tarefas complexas.

Além da voz do Christopher Meloni no Hal, a produção tem outros grandes nomes como Michael Madsen dublando o Kilowog, Victor Garber como Sinestro, Tricia Helfer dando sua voz para a Boodikka, John Larroquette como Tomar Re, Kurtwood Smith como o vilão Kanjar Ro, Larry Drake como o Guardião Ganthet, Olivia d’Abo como a terráquea Carol Ferris e Richard McGonagle como o Lanterna Abin Sur.

Sinestro o primeiro Lanterna Amarelo e sua Bateria de Poder Amarela

No Brasil os personagens foram, respectivamente, por Philippe Maia, Mauro Ramos, Júlio Chaves, Mabel Cezar, Luiz Carlos Persy, Alfredo Martins, Ayrton Cardoso, Miriam Ficher e Carlos Gesteira.

Em suma, recomendo aos nossos leitores, que ainda não conhecem esse longa, que assistam, ele é, como grande parte dos longas animados da DC Pré-Flashpoint, um filme divertido, tenho certeza de que se vocês não forem daqueles tipos que são defensores ferrenhos da continuidade, algo me diz que vocês irão gostar, sendo ou não um fã de longa data do Lanterna Verde ou não. Quando eu assisti pela primeira vez, me senti, honestamente, feliz em ver uma boa animação do Gladiador Esmeralda.

Para terminar lhes trago o Juramento da Tropa dos Lanternas Verdes:

“In Brightest Day, in Blackest Night, no Evil Shall Escape my Sight!
Let Those who Worship Evil’s Might, Beware my Power… GREEN LANTERN’S LIGHT!”

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